Monday, December 19, 2016

Porque tive que deixar meu filho e ir embora...

Aos que me julgaram sobre deixar meu filho com meus pais a dez anos atrás para me aventurar no mundo... e aos que ouviram as mais diferentes e covardes versões a respeito de mim e da minha pessoa carregada de ódio, machismo e misoginia, vai a minha própria versão.
Sou uma pessoa que foi julgada durante toda a vida, que foi discriminada durante todos os momentos de vida. Entre tantos julgamentos, um dos maiores julgamentos que eu recebi e recebo nos ultimos 10 anos foi ter deixado a casa dos meus pais e meu filho com eles para ir morar numa cidade grande, porque eu só queria saber de drogas e farra. Pessoas de mente evoluida, geralmente das proprias cidades grande que morei devem estar se perguntando: Por que esse julgamento, se aprender a sobreviver sozinha, sem a grana e apoio dos pais numa cidade de dimensoes bem maiores é antes de mais nada um ato de coragem?
Esse artigo vai para quem julgou que eu estivesse fazendo aquilo sem consequencias de nada, quem julgou que eu nao amava meu filho, quem julgou que eu abandonei meu filho, pois nós dois, eu e meu filho, nos cansamos de ouvir isso esses ultimos 10 anos.
Eu estava num momento terrível da minha vida prestes a desistir de tudo. E realmente desisti. Ainda bem. Dentro da casa dos meus pais 3 anos apos ter meu filho , sim eu tive meu filho nas casas do meu pai que moram num lugar preconceituoso, apenas o fato de que eu era uma mãe solteira, já era um prato cheio para uma metralhadora de criticas, julgamentos, exclusoes e preconceitos, eu nao tinha conseguido mesmo após 2 anos de ter voltado ao mercado de trabalho, sim voltei a trabalhar no unico shopping da cidade antes do meu filho completar 1 ano, eu nao ganhara um salario suficiente para me sustentar e sustentar meu filho, tinha trabalhado naquele shopping por 2 anos numa loja de eletrodomesticos, sendo um dos piores empregos que eu já tive, sofria bullying, misoginia, odio gratuito todos os dias, era um inferno e um dos mais mal pagos que ja tive na minha vida. ( alguem pode mostrar essa critica pro Ricardo? ). Na verdade agradeço por ter vivido o inferno naquela loja porque depois daquele lugar eu jamais aceitei trabalhar na caixa 8 horas por dia e receber um salário de merda 1 vez por mês. Passei a ser prestadora de serviço e receber por hora. Bem mais dinâmico e interessante. E quando voltava pra casa ( dos meus pais ) era obrigada a ouvir todos os dias da minha mae que eu ja havia virado um estorvo pra ela dentro da casa dela.
Emocionalmente eu tinha uma relacao de "estar apaixonada por alguem que so queria me comer" e isso ja acontecia a 3 anos, a primeira de muitas outras dessas relacoes que vivi, pois na sociedade que eu viva, mediocre e atrasada, para voce sair da fuck-zone e ser assumida, voce precisa ser branca, ser rica, e uma serie de fatores nos quais eu nao preenchia os requisitos, eu ainda era mae solteira, isso automaticamente, mesmo tendo engravidado do cara que me tirou a virgindade, ser mae solteira ali, mesmo tendo conhecido apenas uma piroca na vida, isso automaticamente me intitula a facil, rodada, passou na mao de varios caras, nao sabia quem era o pai do meu filho ( esse julgamento diga-se de passagem foi dito pelo meu entao primeiro professor de jiu jitsu no meio do treino lotado de homens, talvez eles mesmo tenha se esquecido que fez essa brincadeira, eu jamais esqueci, misoginia, machismo, preconceito e bullying sempre foram meus maiores companheiros), o fato de ser mãe solteira, não branca, de familia de nenhuma posse, intitulava automaticamente que eu só servia para sexo, e assim eu era ali tratada no meio social.
Se o trabalho estava uma merda, dentro da casa dos meus pais estava uma merda, emocionalmente estava sendo tratada igual lixo. Aquele lugar definitivamente nao era pra mim, nao via mais perspectivas de sucesso ali. Era a hora de partir. Era a hora de um recomeço. Era a hora de buscar uma cidade grande, um lugar que suportasse meus sonhos, um lugar que eu pudesse sonhar grande já que tinha aprendido o quanto ser medíocre era repugnante, um grande centro urbano e me libertar das amarras sociais e raciais que um dia eu ali havia sofrido e viver conforme eu mesma, acima de qualquer coisa, eu mesma havia escolhido, eu viveria de acordo com a minha própria lógica, já que a lógica do sistema para mim era falha. Era a hora de eu me encontrar com a liberdade de ser aceita por ser eu mesma. E nao podia ter levado nenhuma bagagem daquele lugar mediocre, pois ali nada que tinha aprendido, me serviria para enfrentar o mundo. Fui embora despida, sem nenhuma experiencia, ou dinheiro, eu só tinha aprendido oque eu não deveria ser e a maneira que eu não deveria me comportar. Nada que tinha vivido ali pude reaproveitar. Escolhi não devolver aquele ódio pro mundo, escolhi devolver respeito ao próximo acima de tudo. Escolhi não devolver bullying no mundo, escolhi ter compreensão e amor pelas diferenças.
Hoje 10 anos depois, casada com americano, morando nos Estados Unidos, podendo dar uma educacao de qualidade de primeiro mundo pro meu filho, vejo que os resultados nao vem facil assim. A vida te bate forte primeiro, te ensina, e apesar de todos os caminhos tortos que eu passei para chegar ate aqui. Eu nao me arrependo de nada. A unica coisa que eu me arrependo foi de algum dia por algum tempo, tempo minimo possivel, de ter me preocupado com julgamento de pessoas de mentalidade mediocre, precisava conhecer pessoas que eu me inspirasse e tivesse admiração. Hoje as vejo, na maioria das vezes, numa vida medíocre e remediada, infelizes com a bosta de lugar e de pais que elas nasceram, e muitas me pedem para eu ajudar a trazer pra cá, olha como o mundo dá voltas... Pessoas presas à seus próprios preconceitos com o próximo e com elas mesmas. Fazendo o lugar onde elas estão cada vez mais atrasado do resto do mundo.
E hoje começo a colher os frutos de uma nova vida que comecei a 10 anos atras da maneira que me foi possível recomeçar, com o que eu tinha, absolutamente nada, onde comecei a aprender a me amar e me aceitar pelo o que eu era. Quanto ao meu filho, nos somos os melhores amigo um do outro, ele mais do que ninguém entendeu o meu pedido de socorro pro mundo e se orgulha imensamente de mim e da pessoa que me tornei. Então aos pobres medíocres preconceituosos, vai um recado, eu em 1 milhão de vezes, se tudo se repetisse, deixaria aquela província mediocre e iria aprender a viver fora dela, isso é conhecer vida de verdade. Eles ali afundados no ódio gratuito, no preconceito e nos julgamentos talvez não saibam o que é como se comportar num mundo evoluído. Eu sei minha coragem incomodou muito os covardes, tanto que eles estão ate hoje trancados em seus pequenos e preconceituosos mundinhos. Quando você não tem respeito pelo próximo você não tem mais nada.
"Pessoas de coragem realmente deixam covardes desconfortáveis então eles precisam ser mais covardes ainda para se sentirem melhores".
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