Monday, December 19, 2016

A tal zona de conforto...

Eu ouço dizer por todo lugar a muito tempo a frase : Saia da sua zona de conforto. Sinto que essa frase deve vir de um sistema patriarcado, de um racismo estruturado, por uma elite branca. As minorias que sofrem preconceito nunca estiveram em uma zona de conforto. Eu não consegui encontrar a minha própria zona de conforto tendo crescido numa sociedade que vive dentro de uma caixa, que obriga voce a viver numa forma, eu sempre fora dos padrões aceitos pelo ambiente que ali vivi.

Na idade adulta consegui reverter esses desconfortos á meu favor para poder me libertar desse sistema medíocre e opressor que me constrangia, que me fazia viver em um desconforto diário em vida social. Já que nunca havia experimentado a tal zona de conforto, fui ver o mundo com meus próprios olhos, sentir o mundo e as pessoas fora da bolha opressora que eu vivia. Não tive medo de arriscar, não tive medo de não ser aceita, pois aceita nunca tinha sido. Fui experimentar todas as coisas que um dia eram apenas sonhos, devaneios da minha cabeça.

Realmente eu ainda após ter me encontrado no mundo, ter descoberto quem eu sou, ter me aceitado e aprendido a ouvir a minha voz interior que me dá coragem de seguir e acreditar nos meus sonhos eu ainda não aprendi a estar em uma zona de conforto. Talvez nunca esteja, talvez nunca aprenda. Talvez eu mesma julgue as pessoas, a maioria delas, estagnadas, presas à padrões, rótulos, que vivem dentro de uma caixa e tem medo de sair dessa caixa. Erro meu. Elas mal sabem quem são elas próprias e o que aqui fazem. Vivem para pagar suas contas, contas essas que são falsas recompensas de não viver uma vida plena e mal sabem quais são seus verdadeiros sonhos.

O mundo me deu toda a liberdade que eu precisava, liberdade de ser eu mesma, liberdade de trabalhar em o o que eu bem entender, liberdade de viajar, liberdade de explorar, liberdade sexual  ( tendo em vista que cresci numa sociedade racista e patriarcada que julga mulheres e as coloca em caixinhas diferentes ), liberdade de explorar meu próprio corpo da maneira que eu quisesse, liberdade de explorar meus limites.

Eu realmente não entendo onde fica essa tal zona de conforto. Nunca soube, talvez nunca saberei. Hoje só tenho a agradecer por ter crescido numa sociedade tão medíocre e preconceituosa, eu realmente tinha que ser tratada diferente, nunca fui nem de longe serei parte desse sistema atrasado, opressor e falido. Desde sempre, antes até mesmo de eu mesma entender isso, já era vista como uma pessoa diferenciada, que não podia fazer parte do grupo. Estavam certos, eu não era e nunca fui parte daquilo. Milhões de rejeições me fizeram me descobrir como uma pessoa realmente bem diferente de todas do lugar onde cresci, e não era por causa da minha cor, aparência, condição financeira, mas porque sempre fez parte da minha educação e conduta ter respeito ao próximo independente das diferenças. Eu realmente nunca fui para aquela lugar.